O Pró-Paz Integrado que funciona na Fundação Santa Casa de Misericórdia já recebeu, desde sua criação, em 2004, cerca de seis mil denúncias, e nos três primeiros meses deste ano, já registrou um alto índice: 233 casos de abusos sexuais contra crianças e adolescentes.
Eugênia Fonseca, assistente social e coordenadora do Pró-Paz Integrado na Santa Casa, destaca que o abuso sexual é a exposição de uma criança ou adolescente a práticas sexuais impróprias para sua idade, seu nível de desenvolvimento psicossocial e seu papel na família. A criança é forçada fisicamente ou ameaçada verbalmente a participar da relação sem ter, necessariamente, capacidade de consentir ou julgar o que está acontecendo. "O abuso sexual pode ser cometido por homens e mulheres de qualquer classe social, membros de nossa família, pessoas que conhecem bem a criança, de confiança e amigos íntimos", ressalta Eugenia.
A criança abusada sexualmente pode experimentar um profundo sentimento de solidão e abandono, torna-se muito retraída, perde a confiança em adultos, quer fugir de casa e pode até pensar em suicídio, principalmente quando existe a possibilidade da pessoa que abusa ameaçar com violência. Eugenia Fonseca ressalta ainda, que a criança fica aterrorizada, confusa e com medo de revelar o abuso. Com frequência permanece silenciosa por ter sido ameaçada pelo abusador e por medo de ser considerada culpada ou mesmo de ser castigada. Uma das ameaças mais comuns é a de que, caso a criança conte o "segredo especial", a família será desfeita.
"É importante lembrar que muitos abusadores oferecem recompensas, brinquedos e presentes, ou utilizam de 'brincadeiras' e 'jogos' para transmitir à criança a falsa idéia de que o abuso sexual é algo especial e divertido", declara.
Prevenção
A coordenadora do Pró-Paz Integrado da Santa Casa afirma que o abuso sexual é uma violência que os pais não querem pensar que possa acontecer na sua família. Entretanto, é um assunto que eles precisam discutir com os seus filhos, de maneira clara, objetiva e frequente, como as orientações para atravessar uma rua ou se afastar de um animal feroz.
Para a assistente social do Pró-Paz é fundamental conversar com a criança utilizando os termos que ela emprega para denominar suas partes íntimas, se a criança ainda não tem idade para compreender com detalhes os assuntos sexuais, simplesmente explique que algumas pessoas, mesmo da própria família, podem tentar tocar, mexer nas suas partes íntimas, de forma que se sinta incomodada.
Falar claramente à criança que se alguém tentar tocar ou mexer em seu corpo ou fazer alguma coisa que a faça sentir incomodada, ela deve se afastar da pessoa e contar imediatamente o que aconteceu. "Reafirme que a criança não será castigada por falar sobre o assunto. Ensine a não aceitar dinheiro, balas, doces ou qualquer coisa de pessoas próximas, membros da família ou estranhos em troca da permissão para tocá-la. Aconselhe sempre para a criança chamar atenção, sem se sentir envergonhada, pedindo ajuda, caso perceba intenções ruins de pessoas desconhecidas ou mesmo íntimas". Orienta Eugenia Fonseca
O que fazer
Segundo a assistente social, muitos pais se sentem totalmente despreparados e pegos de surpresa diante de uma suspeita de abuso sexual. As reações emocionais da família serão muito importantes neste momento, os pais ou responsáveis nunca devem responsabilizar ou culpar a criança, muito menos aplicar punições pelo que a criança está revelando, nunca diga à criança que ela está mentindo ou a chame de mentirosa, não grite, pressione ou obrigue a criança a "falar a verdade", trate com carinho e reafirme que nada lhe acontecerá.
Se suas suspeitas produzirem um relato da criança, procure sem constrangimentos o atendimento do Pró-paz Integrado da Santa Casa, lá existem profissionais especializados que irão orientar como proceder diante deste crime.
Ascom Santa Casa







1 comentários:
Boa noite!
Parabéns pelo projeto Pro-Paz,o objetivo é cuidar da questão da violencia contra criança e adolescencia na questão de ferir em todos os sentidos os sentimentos desses seres(CRIANÇA E ADOLESCENTE)o AGRESSOR TAMBÉM PRECISA SER INVESTIGADO, O QUE LEVA SE COMPORTAR DE UMA MANEIRA NÃO SÃ.
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